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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

GOING HOME...

 
Última noite em Londres... Time to go home...
 
Será que é saudade o que sinto agora neste quarto de hotel?
 
Mala feita... Late check out confirmado... Será que é saudade?
 
Saudade da família que fica...
 
Saudade dos meninos, como os chamo...
 
Saudade da enorme alegria que senti quando vi Carol subir no palco do Barbican Centre para receber seu diploma... Está pós-graduada ... Amém!
 
Saudade da prima que me mostrou uma França cheia de sutilezas entre castelos e estradas vicinais...
 
Saudades...
 
Muitas saudades...
 
Lá fora, cai uma chuvinha suave que molha o chão e um canto qualquer de minha alma...
 
A temperatura não passa de dois  ou três graus...
 
Este ano, Londres me pareceu mais cansada... Uma senhora de estirpe que perdeu suas luvas em um acinzentado jardim...
 
Ainda assim, sorri fleumática e toma seu chá com scones enquanto a noite cai sobre o Tâmisa entre pontes e Saint Paul's...
 
Saudades...
 
Time to go home...
 
(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DAS MALAS, A MENOR

 
 
 
 
 
 
Aiiiiiii! Desculpem o trocadilho, mas não pude resistir. Sinceramente, espero que me compreendam e me perdoem... Neste momento, ao meu lado, a famigerada mala, e eu, tendo de pensar no que vou colocar nela.
 
Deixei de gostar de fazer malas. Adoro viajar, mas essa coisa de ver o que levar está me deixando cada vez mais preguiçosa.
 
Será uma questão de idade? Será que essa preguiça é só com malas de viagem ou estou me tornando uma senhora reclamona e impaciente?
 
Nada disso... Imagino que tenha tudo a ver com a idade, mas não necessariamente com malas e sim com a nossa bagagem... na vida.
 
Quanto mais o tempo passa, menos quero carregar. Venho me desfazendo de meus baús com uma rapidez e maestria de deixar qualquer ilusionista tonto.
 
Não quero... Não vale a pena levar... Pra que guardar isso?
 
Fico resmungando estas frases pela vida. Às vezes, apenas as sussurro, outras vezes, dou um grito bem alto para me convencer que é hora de desfazer.
 
Desfazer. Assim, seguido de ponto. Verbo intransitivo. Nada de objetos.
 
E aí, a bagagem fica mais leve. As distancias mais curtas e o caminho mais prazeroso. De vez em quando, no bolso do colete, trago uma foto. Só para me lembrar. De um momento, daquele perfume, do sorriso que se perdeu no ar. Uma foto... Pra que mais?
 
Vou me desfazendo de coisas, para abrir lugar para lembranças passadas e aventuras futuras.
 
Vou me desfazendo das coisas, só para poder guardá-las em meu olhar.
 
No mais, estou cada vez mais precisada de menos. Que assim, dou conta das coisas.
 
Os livros que tenho hoje são os essenciais. As louças são  as que uso no dia a dia... Louça de festa? Sempre é festa em minha casa e todo dia justifica cristais. Roupas e sapatos, cada vez mais informais. Joias?... Um dia um ladrão entrou lá em casa e levou mais que os ouro, muitas alegrias e recordações... Não as quero mais.
 
E agora, esta mala aqui do meu lado, olhando fixo para mim. Me obrigando a pensar no que levar... Sei lá!!! Sei lá!!!!
 
Do xampu à pashimina, da maquiagem ao pijama, tudo devia vir quietinho, em fila indiana e obediente ir entrando bem lá no fundo da mala. Cada um encontrando o seu canto. Por livre e espontânea vontade. Por pura e deliciosa magia.
 
Aí, eu podia ficar por aqui, escrevendo e inventando. Mas quem disse que isso existe? E lá está a mala, no canto, só me espreitando.
 
Tá bom! Tá Bom! Vou encarar a tortura...
 
Na próxima sexta-feira eu conto o porquê da mala e digo por onde ando.
 
Só uma semaninha... Vai valer a pena esperar.
 
 
Nota: Foto retirada do Google images
 
(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É OUTONO...


É Londres... É outono... E eu achei o cabo para passar as fotos para o computador. Já estivemos nas Highlands e vimos o monstro (claro). E eu cheguei a conclusão de que fazer algum texto por aqui vai ser dificil... Então, aqui ficam muitos beijos e algumas fotos. Depois conto as histórias.


Já é quase Natal e as ruas começam a brilhar!


Quem disse que a gente não para rezar um pouquinho? Southwark Cathedral... Amen!


E para quem esperava chuva... Dias de botar inveja no Rio...


E nada como uma noite clara em St. Paul's!

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ARRUMANDO AS MALAS


Semana que vem: Inglaterra! E não vou negar que já estou experimentando aquela sensação gostosa de viagem à vista. Viajar é muito bom!

É bem verdade que podia ser melhor se não fossem as regras de segurança em voos internacionais e os aeroportos. Quando me perguntam se eu tenho medo de avião, eu respondo que tenho medo de aeroporto, esta entidade mítica, medieva e incontrolável. Entrar em aeroporto é igual a jogar Nitendo, há que se vencer etapas. Das mais simples, como passar pela porta e entrar, às mais complexas, como enfrentar a alfândega junto com mais três voos chegados de Orlando. Esta etapa sempre me venceu!



Há uma etapa que precede ao aeroporto que, confesso, tem me cansado cada vez mais. Não sei se tem a ver com estar ficando mais velha, ou se é resultado do acúmulo de vezes que já a enfrentei, mas fazer mala tem se tornado para mim um obstáculo a vencer. Houve uma época que eu viajava tanto que já nem pensava. Eu dizia Calor! E as roupas adequadas iam se enfileirando obedientes e entrando na mala. Eu dizia Frio! E até os casacos pesados e as ceroulas me obedeciam.  Agora não, está todo mundo rebelde, preguiçoso. Eu digo Frio! E as roupas ficam me olhando, como se dissessem Tá brincando? Olha o céu azul aí fora! Sente o calorzão! Encara a gente! Tem que nos experimentar! Vai encarar, vai?

Este é o problema de se estar sempre acima do peso, o fato de se ter as roupas não quer dizer necessariamente que elas lhe pertençam. Há que experimentá-las. Tem umas que vão bem até a lã passar pelo pescoço, aí pinica tudo. E não adianta ligar o ar condicionado que elas e o seu corpo sabem: Tá querendo me enganar, né? Olha o solão lá fora! Tá pensando que tá em Londres, mané? Aqui é Rio, malandro! É Rio! 



Então, o gesto simples de fazer a mala tem se transformado em tortura pior que aqueles palitinhos debaixo das unhas. Os únicos objetos afáveis e solidários são os cachecóis e as luvas. Se deixam manusear com cumplicidade. E estou segura que estão sendo discriminados. Coisa de bullying mesmo. Tenho certeza que ontem vi uma blusa de gola alta dizendo para as luvas que teriam de pagar pedágio para entrar na mala. Pode?

Mas não tem jeito, há que encarar esses delinquentezinhos e terminar tudo que o voo não espera... Pode atrasar... Mas não espera.

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Imagino que vocês devam estar se perguntando porque este texto entremeado com fotos do Rio. É porque... Sabe... Apesar de toda a sensação deliciosa de viagem à vista, já estou com uma pontinha de saudade de minha casa e da cidade. E ontem, só para me castigar, a lua chegou cheia e se escarrapachou em um céu de primavera todinho azul noite...

O Rio é uma cidade linda... Muito linda! 


(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CAROL


Não tive filhos... Mas tive muitos filhos espalhados por aí. Por salas de aula. Por encontros e acasos. Filhotes da vida.

Não tive filhos... Mas tenho alguns prediletos, que me encantam e me dão trabalho... Que me fazem feliz por existirem. (Já sou até avó emprestada!)

A vantagem de não se ter filhos é que seu ninho está sempre aberto a novas chegadas.

Uma vez escrevi sobre Dani Boy e também já falei de um Natal com o Gui...

Hoje é o dia de Carol.


Ela chegou para mim em uma visita de cair de tarde. Era frio e ela era tão pequenininha! Tinha três ou quatro meses e uma mantinha de lã cor de rosa e uma chupeta enorme.


Foi recebida com imensa alegria.


Depois... Ela já estava fazendo um ano. Parecia uma boneca em seu vestido de festa.

Foi crescendo em diferentes quintais. São Paulo, Icaraí, Itaipu.

Eu adorava quando ela, ainda bem pequenininha, ficava contrariada. Do alto de suas fraldas, botava as mãos para trás e, tal qual Napoleão, saia pelo corredor resmungando. Impropérios infantis e uma enorme chupeta perdidos em sua boca.


Sempre teve gênio. Coisa de geminiana.

O tempo foi passando e, às vezes nos víamos mais, noutras épocas, quase não nos víamos, mas teve um Natal...


1995. Meus pais tinham morrido e, no primeiro ano de perdas, algumas festas são só um calo, um nó, uma pedra. Celina me convidou para passar a noite de Natal com eles. Eu fui... Estava anestesiada... Ri, brinquei, cortamos o peru e, de repente, eu estava no sofá olhando para a televisão. Olho vidrado. Foi quando uma mãozinha de sete anos segurou minha mão. Não disse nada. Olhou para mim, nos demos um riso meio de lado, e ficamos as duas ali, olhando para a televisão.

Um salto e já eram as férias. Cristina veio de São Paulo com Denise e Cecilie e Carol ficou com a gente. Era praia de manhã e muita história inventada por mim em muitas tardes preguiçosas. Nós três sentadas na rede. Íamos pra lá e pra cá. Eu falando e Cecilie entrava num mundo de fadas e aventuras... (Que quando eu conto uma história, a criança vai comigo e faz parte do enredo. É personagem da trama. Enfrenta bruxa e pirata.) Cecilie se entregava de corpo de alma. Virava princesa... Carol era mais arredia. Desconfiada, às vezes me interpeleva, Tia, isso não existe...

E eu brincava, Carol tem 32 anos e é formada em biologia!

Foi nessas férias que Celina se separou e fui eu que falei com Carol que a separação  tinha se concretizado. Até pouco tempo atrás, eu levava comigo uma culpa escondida. Achava que tinha falado muito a seco com ela sobre o assunto. E foi só agora em janeiro, enquanto jogávamos conversa fora, que ela me eximiu da culpa. Respirei aliviada.


Neste mesmo dia, me contou que sua primeira recordação de mim era eu olhando para ela em plena crise de manha e dizendo, Não tem nada. É só manha. Não vejo lágrimas nos olhos. Ela riu e me disse que foi nesse dia que descobriu que os adultos podiam saber quando uma criança estava fazendo só manha e pirraça. (Não achei a recordação mais adequada, podia até ter provocado um trauma, mas que tenha servido de lição.)


Adolesceu como todas as adolescentes, com seus altos e baixos, suas crises existencias, suas insônias e inseguranças. Um dia pôs um piercing na língua. Quase a enforquei, mas mãe emprestada só pode fazer comentários... Sua louca!! Maluca!!! Detestei!! Se fizer de novo, vou bater em você!!! Essas coisas assim... Comentários...

Se apaixonou... Sofreu...


Eu sempre digo pra ela que um dia ela vai encontrar um rapaz chamado Gustavo e vai ser paixão à primeira vista.


Foi uma brilhante aluna de inglês e um dia me disse que queria estudar na Inglaterra. Tem investido muito esforço para isso.


Agora... O visto saiu... E ela embarca no sábado para fazer um MA em Marketing em Londres.

Carol cresceu. Todos crescem. A gente é que não repara. E agora começa uma nova etapa. Como um parto.



Que você seja muito feliz nesta nova fase. Descubra muito. Descubra-se mesmo. Faça muitas viagens. Aprenda. Relembre. Ensine. Cresça... Que encontre Gustavo, por acaso.

Mas sabe, nunca deixe de ser um pouco pequenininha. Pra caber de vez em quando em meu colo, quando você passar por aqui de visita.

Take care... Take risks... Take care!

God bless you!

Tia Patricia

PS1: Ah, e que La virgen de Guadalupe te proteja muito!



PS2: A foto que abre o texto é só uma lembrança pra você de que a vida é feita de luz e sombra. Curta os momentos de luz e aprenda quando ela faltar. Saber disso é importante para quem começa um mestrado.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)