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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A CASA DE CAROL


Minha mãe sempre dizia: Não há reino grande demais para dois reis e nem casa espaçosa o suficiente para duas donas.

Mulher é bicho ninheiro. Vira e mexe e lá está ela arrumando um cantinho para parir sua prole... de filhos, de metas, de amigos, de amores, de trabalhos, de sonhos... Ou tudo isso junto. Ou sei lá... Nada disso... Não importa, desde que o canto esteja lá. E, nele, ela possa deixar o seu cheiro.

Não conheço nenhuma que seja diferente. Por mais feminista (mesmo as das antigas!), workaholic, fria e calculista, se a ela é dado um cantinho, em breve por lá vai estar um vaso com flores, um cheiro de perfume ou incenso, uma manta para dar aconchego e cobrir o sofá. Painéis com muitas fotos também compõem o cenário. Ou apenas um porta retratos, um único,  com uma foto especial.

Um canto... E lá, ela é a rainha. E lá, é ela quem manda e ajeita almofadas e desentorta os quadros na parede.

Pode não cozinhar, mas vai ter vidrinhos com temperos guardados em alguma gaveta. E pode chegar a bater longos papos com tenras cebolinhas e delicados pés de manjericão.

Se há espaço e verba, dá até para se ter uma adega. Para degustar com os amigos...  E, às vezes, beber sozinha, para desgastar suas mágoas.

Ali ela é DONA. De si... De seu nariz... De suas paixões e de sua fúria em dias de TPM.

DONA.

E foi isso que vi, quando subi as escadas e adentrei o apartamento em Islington, norte de Londres. Carol ia abrindo as portas e se desculpando da bagunça da mudança e explicando o que já havia feito e o que ia fazer.

E nos contou sobre a planta: Comprei o vaso e vim andando pela rua com ela na mão. Sempre quis fazer isso. Parecia cena de filme. (Ela e a planta, personagens de uma história íntima, feita de sonho e determinação.) 

E, na sala, o pièce de résistance, a lareira, iluminada por duas enormes janelas. A ela, fomos apresentadas com respeitosa empolgação. Uma lareira!!!




Por estarmos às vésperas do Natal, imaginei a lareira enfeitada e me odiei porque esqueci de deixar com Carol a meiazinha que comprei em Southwark Cathedral.



Então, Carol, aí está pelo menos a foto. E tenha certeza que dentro da meia, na noite de Natal, vão ser deixados todos os seus desejos e sonhos e a cura para as suas inquietações. (Infelizmente, Papai Noel já me avisou que assignments de Mestrado ele não faz!).

Minha mãe era uma mulher sábia. Nem reino tão grande... Nem casa tão espaçosa...

(Que ninguém nos ouça. E menos ainda o Daniel! Dani está morando lá também. E de lá me envia lindos desenhos e animações!!!! Mas suspeito que ele será hóspede em seus aposentos, porque lá, a dona da casa é Carol!!!).

Para vocês aí em Londres e para todos os meus amigos, um Feliz Natal!! E que em suas meias e sapatinhos sejam deixados seus desejos e sonhos e a cura para todas as suas inquietações. 

Merry Christmas!!! And God Bless you all!!!

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É OUTONO...


É Londres... É outono... E eu achei o cabo para passar as fotos para o computador. Já estivemos nas Highlands e vimos o monstro (claro). E eu cheguei a conclusão de que fazer algum texto por aqui vai ser dificil... Então, aqui ficam muitos beijos e algumas fotos. Depois conto as histórias.


Já é quase Natal e as ruas começam a brilhar!


Quem disse que a gente não para rezar um pouquinho? Southwark Cathedral... Amen!


E para quem esperava chuva... Dias de botar inveja no Rio...


E nada como uma noite clara em St. Paul's!

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ARRUMANDO AS MALAS


Semana que vem: Inglaterra! E não vou negar que já estou experimentando aquela sensação gostosa de viagem à vista. Viajar é muito bom!

É bem verdade que podia ser melhor se não fossem as regras de segurança em voos internacionais e os aeroportos. Quando me perguntam se eu tenho medo de avião, eu respondo que tenho medo de aeroporto, esta entidade mítica, medieva e incontrolável. Entrar em aeroporto é igual a jogar Nitendo, há que se vencer etapas. Das mais simples, como passar pela porta e entrar, às mais complexas, como enfrentar a alfândega junto com mais três voos chegados de Orlando. Esta etapa sempre me venceu!



Há uma etapa que precede ao aeroporto que, confesso, tem me cansado cada vez mais. Não sei se tem a ver com estar ficando mais velha, ou se é resultado do acúmulo de vezes que já a enfrentei, mas fazer mala tem se tornado para mim um obstáculo a vencer. Houve uma época que eu viajava tanto que já nem pensava. Eu dizia Calor! E as roupas adequadas iam se enfileirando obedientes e entrando na mala. Eu dizia Frio! E até os casacos pesados e as ceroulas me obedeciam.  Agora não, está todo mundo rebelde, preguiçoso. Eu digo Frio! E as roupas ficam me olhando, como se dissessem Tá brincando? Olha o céu azul aí fora! Sente o calorzão! Encara a gente! Tem que nos experimentar! Vai encarar, vai?

Este é o problema de se estar sempre acima do peso, o fato de se ter as roupas não quer dizer necessariamente que elas lhe pertençam. Há que experimentá-las. Tem umas que vão bem até a lã passar pelo pescoço, aí pinica tudo. E não adianta ligar o ar condicionado que elas e o seu corpo sabem: Tá querendo me enganar, né? Olha o solão lá fora! Tá pensando que tá em Londres, mané? Aqui é Rio, malandro! É Rio! 



Então, o gesto simples de fazer a mala tem se transformado em tortura pior que aqueles palitinhos debaixo das unhas. Os únicos objetos afáveis e solidários são os cachecóis e as luvas. Se deixam manusear com cumplicidade. E estou segura que estão sendo discriminados. Coisa de bullying mesmo. Tenho certeza que ontem vi uma blusa de gola alta dizendo para as luvas que teriam de pagar pedágio para entrar na mala. Pode?

Mas não tem jeito, há que encarar esses delinquentezinhos e terminar tudo que o voo não espera... Pode atrasar... Mas não espera.

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Imagino que vocês devam estar se perguntando porque este texto entremeado com fotos do Rio. É porque... Sabe... Apesar de toda a sensação deliciosa de viagem à vista, já estou com uma pontinha de saudade de minha casa e da cidade. E ontem, só para me castigar, a lua chegou cheia e se escarrapachou em um céu de primavera todinho azul noite...

O Rio é uma cidade linda... Muito linda! 


(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A AVENTURA CONTINUA



Foram muitos os pedidos, de diferentes partes do mundo, e, então, a aventura continua.




Como vocês devem lembrar... a mais secreta dupla de super heróis intergaláticos, Aunty Pat & Danny Boy, estava em Oxford Circus quando houve a explosão.

Acostumados a enfrentar grandes intempéries, os dois heróis estranharam o seu rápido desfalecimento. O que estaria acontecendo??? se perguntavam, enquanto tentavam se manter conscientes.

A explosão havia desencadeado uma força, uma onda energética que os impedia de pensar. Ambos sabiam que sozinhos não conseguiriam resolver a situação. Era hora de ativar os outros da equipe.

  




Com um esforço sobre-humano, só possivel entre super heróis de alta estirpe, Aunty Pat levantou o braço e tocou o pompom de sua boina. Este era o gesto para conclamar à ativa o mais eficiente e genial cientista, especialista em fontes de energia alternativas. Em poucos segundos, S.J.W. se materializou diante dos olhos atônitos dos dois heróis.


Baa! Tchêêê! Nunca vi energia tão potente em todos os meus anos de pesquisa! Sozinhos não daremos conta de enfrentar o problema! Será preciso ativar mais companheiros.



Esta foi a deixa para que Danny Boy, quase paralisado devido à alta exposição à energia misteriosa, tocasse por três vezes a lapela de seu sobretudo de corte impecável. Ao final do terceiro toque, MummyCel e CyberKarolSister surgiram, como em um passe de mágica.






O que está acontecendo?, perguntou a especialista em comunicação com celulares de última geração. Em todo o mundo, os celulares deixaram de funcionar. O único som que transmitem é o repicar de um sino à distância. 

O mesmo aconteceu com todos os computadores da Terra !, complementou a expert em cibernética. Além disso, em todas as telas, surgiu uma imagem um tanto desfocada de uma pequena capela. Vejam aqui.

Todos voltaram os olhos para uma pequena tela de computador que CyberKarolSister trazia acoplada a seu pulso. Não dá para ver bem. Está muito desfocada, todos falaram ao mesmo tempo.

Com sua expertise em computação, CyberKarolSister foi refinando a imagem até que esta surgiu definida na telinha.



Todos olharam novamente e, depois de algum tempo, foi MummyCel que quebrou o silêncio. Eu conheço este lugar! É Temple Church! Já escrevi sobre este lugar em meu famoso blog Mala de Rodinhas & Necessaire!

Temple Church???, todos repetiram em uníssono. E como se dissessem um mantra, uma palavra mágica, um abretessésamo, num solavanco monumental, todos cairam em uma dimensão desconhecida e, em segundos, estavam em uma pequena saleta, como uma sacristia. Atordoados e cobertos por uma penumbra úmida e fria, tentavam identificar onde estavam. E foi novamente MummyCel quem reconheceu o lugar. Estamos em Temple Church. Em uma parte remota e secreta do lugar. A secrestia!

Baaa! Tchêêê!, gritou S.J.W. Há uma força energética intensa e desconhecida. E o pior é que todos os meus equipamentos indicam que ela está aumentando em progressão geométrica. Não resistiremos por muito tempo! Se já estamos afetados por ela, imagino os seres humanos normais. Já deve haver casos de morte nas imediações.

Aunty Pat, então, lembrou a todos. Há uma criatura que pode resistir a tais partículas energéticas. Por seu tamanho diminuto e sua complexa construção robótica, MarieDoggy é nossa única salvação! Danny Boy! Rápido! Ative nossa nano robô!






Aunty Pat, você sabe que esta não é uma tarefa fácil. Terei de ativar meu lápis especial e desenhá-la. A ativação é demorada.

Não temos saída. A humanidade depende agora de você. Ative MarieDoggy, por favor!

Novamente, em uníssono, todos repetiram... Danny Boy, ative MarieDoggy, por favor!

(Conseguirão nossos heróis sair dessa energética armadilha? Conseguirá Danny Boy usar o seu lápis mágico e ativar MarieDoggy a tempo? Quem estará por detrás de tão pérfida situação? Conseguirá a humanidade sobreviver? Todas as respostas estão agora nas mãos talentosas de Danny Boy... Aguardemos!!!)

Nota 1: Para relembrar o inicio da história, buscar no blog o texto The Escape de maio de 2011.

Nota 2: Para saber tudo sobre viagens low-cost na Europa e, especialmente, ter muitas informações sobre Londres, busquem o blog http://maladerodinhaenecessaire.wordpress.com/

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

THE ESCAPE


Era um início de noite chuvoso naquele final de inverno londrino. Quem passasse por eles jamais poderia imaginar que aquelas duas figuras comuns e anônimas eram, na verdade, a mais secreta dupla de super heróis intergaláticos: Aunty Pat & Danny Boy.

Ela, com a sua inseparável boina xadrez e sua capa de um verde já surrado pelas tantas aventuras. Ele, com o seu sobretudo de corte impecável. 

A dupla só era chamada em momentos em que o planeta Terra corria perigo iminente de destruição. Desta vez, sua missão era a de encontrar uma capa de chuva em uma das lojas na região de Oxford Circus. A missão já se fazia quase impossível pelo horário escolhido e pelo dia da semana: Oxford Street em pleno sábado à tarde!!! Mas havia mais!!! Muito mais!!!! A capa que buscavam trazia, tecidos em seu forro com linha invisível, os planos de uma gigantesca invasão alienígena. A invasão definitiva! A invasão tão temida por todas as nações!!!

Os dois, no entanto, se mantinham tranquilos. E foi com grande fleuma (afinal estavam em Londres) e destemor que se embrenharam na multidão incontrolável que havia invadido toda a região. 

Não demorou muito tempo para que a experiência de ambos indicasse que muitas daquelas pessoas eram alienígenas disfarçados. O grupo de turistas japoneses foi a primeira indicação. Tentavam enganar a todos, mas nenhum deles trazia consigo sequer uma câmera. Depois foi uma família norueguesa que reclamava da chuva e do frio. Aquilo não podia ser verdadeiro. Por fim, como a gota d'água no mar de suspeitas, um casal de franceses saboreava, deliciado, um fish&chips frio e oleoso. A confirmação. Os alienígenas tinham chegado.

Aunty Pat & Danny Boy se entreolharam. Era preciso agir com urgência e objetividade. Decidiram descer aos subterrâneos, isto é, ao TUBE, para ver como as coisas estavam por lá. O mesmo cenário se descortinou aos olhos atentos dos super heróis. A multidão inquieta e dissimulada se espalhava pelos túneis, corredores, escadas rolantes... Todos esbarravam em todos. Um emaranhado de línguas e sotaques, alguns ininteligíveis, confirmava a presença dos extra-terrestres. E foi nesse momento que o primeiro aviso se deu:

- Emergency alert!!!! Emergency Alert!!! Leave the station !!! Leave the station!!!

A voz era de tal forma angustiada e nervosa que sequer complementou o aviso com o tão tradicional e britânico Mind the gap. Sequer um please. Não. Não havia tempo para isso. Era cada um por si e os dois heróis por todos.

Foi Aunty Pat que sugeriu que subissem novamente. Nas ruas teriam uma visão mais geral do que estava acontecendo. Enquanto subiam, ajudaram milhares de pessoas que tentavam sair daquela infame armadilha.

Quando sairam do TUBE, viram nos céus uma grande nave. Pensaram até que fosse uma jogada de marketing da Hamleys, mas foi aí que houve a primeira explosão.

(Conseguirão nossos heróis vencer as forças do mal e proteger o planeta de  malévolos alienígenas? Terão Aunty Pat & Danny Boy forças para enfrentá-los? Isto só saberemos nos próximos capítulos!)

Não, não enlouqueci não. Esta foi a minha maneira de agradecer por um delicioso presente que ganhei de Dia das Mães (Postiças).

Dani,
Amei seu carinho e a recordação de uma tarde tão maravilhosa em Londres.
Quanto à história, quanto a nossas aventuras, cabe a você continuar desenhando, que a tia aqui põe o texto. Afinal, Aunty Pat & Danny Boy têm muita chance de se tornarem grandes super heróis. Lembra que também temos outras paladinas da justiça: CyberKarol Sister, expert em cibernética, MummyCel , especialista em comunicação com celulares de última geração e MarieDoggy, a mais perfeita nano robô do universo. Ah, e claro, S.J.W., nosso cientista especialista em fontes de energia alternativas.
Um beijo enorme,
Tia Pat

E para quem teve, esta semana, compreensão com o meu carinho e com a brincadeira fica também um enorme beijo e uma foto rara de Aunty Pat em ação:



Para aqueles que não acreditam que a dupla de super heróis exista, anexo outra foto. Esta mais rara ainda!



Afinal, todos somos super heróis de nós mesmos e de todos aqueles que têm afeto e carinho por nós...

Nota: Se quiserem ter a outra versão desta história, é só acessar no blog o texto Danny Boy de abril de 2010.

Ilustração: Daniel Fernandes 

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)