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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O IMPORTANTE É SER FEVEREIRO...


Vou ter de confessar. Estou há dias buscando o mote certo para o texto desta semana e nada.

Numa desavergonhada falta de inspiração, apostei nos mais variados assuntos, mas nada me pareceu dar frutos.

Pensei em contar a história do turista americano com quem esbarrei no aeroporto. Chegou com um grupo de amigos brasileiros e por tudo queria pedir sozinho uma coxinha de galinha. E eu, com o velho hábito de bisbilhotar conversas alheias e ainda com as manias de professora, só ouvindo. O gringo ficou lá um tempo repetindo ... kochigna... koxina... kochiña... Porrr favorrr una koxigna?(!!!) Se sentiu preparado. Seria simples. A partir do pedido, a moça sorriria e lhe entregaria o desejado salgado. E eu lá só assuntando. Lá foi ele. Mãos trêmulas. Pô favô una koxina?! (SIMPLES!) E a moça olhou para ele e despejou sem piedade: Jápegôafichanucaixa? Ele nem respondeu e voltou para pedir socorro aos amigos. Cai em uma silenciosa gargalhada e me lembrei de mim tantas vezes em Caracas, ensaiando a frase perfeita e sendo atropelada por deliciosos sons hispânicos ao ritmo caribenho. (Bons tempos aqueles!).

Depois pensei em escrever sobre amizade. Amigos. A delicia de poder dizer: Vou jantar com minhas amigas que conheço há mais de trinta anos! Amigas de todas as horas e todos os tempos. Amigas de muita conversa séria e desabridas gargalhadas. Amigas ... Uma afetuosa e secreta confraria. Um dia viramos filme!

Como uma coisa puxa a outra, pensei em falar sobre o jogo de olhares antológico que se dá no filme Histórias Cruzadas. Em várias cenas, o que vale não é o que se diz... Mas o silencioso, eloquente, angustiado olhar trocado por senhoras atrizes.

Aí tive a idéia de contar sobre os blocos que já invadem o Rio... Mas quem fala sobre isso é a mídia. E com closes e câmeras lentas. (Não rolou.)

Enfim... Eu não tinha meu samba enredo. Até porque este ano, vou ficar bem quietinha em casa e assistir os desfiles das escolas pela televisão. E então?

E então? Como diz o velho samba... O importante é ser fevereiro e ser carnaval pra gente cantar...

Mas para não deixar  o blog assim, meio que às escuras. Tristonho, às vésperas da festa... Deixo por aqui uns ângulos do Rio menos conhecidos, até para os cariocas.

Vamos ao mar!!!









E que este Carnaval seja bem protegido por Posseidon e Iemanjá!!!!

 Amém!!!!

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CARROS ALEGÓRICOS


Rio de Janeiro. Já é véspera de Carnaval!!!

Nos barracões, noites viradas a cerrote, café, maçarico, purpurina e isopor.
Nas quadras, as baterias se esmeram na ponta dos dedos dos mestres.
Uma sincopada sinfonia de apitos e bumbos, chocalhos, tamborins e agogôs. 


O Rio é feito de festa, sol, muita praia, cerveja e calor!!!

O novo Sambódromo, já teve até a visita de seu criador!!!
Cento e quatro anos e quarenta graus à sombra!!!

O Rio é demais!!!

As alas ensaiam seus passos.
 As cabrochas engendram seus gestos.
As baianas já rodopiam em imaginária vertigem. 

As rainhas experimentam suas coroas e a pose mais sexy para a foto na CARAS.

Chapéus, anéis, plumas e paetês...
 Estrasse... Estresse...
Que brilhem nas mãos uns mil adereços!!!

Puxadores gargarejam solfejos.
A postos, cavaquinho e  violão.

O Rio é pura euforia!!!

Os turistas já chegam negociando fantasias...
Decoram o samba.
Ensaiam a coreografia.

E os carros alegóricos???!!!!
Ah... Esses são um espetáculo a parte...
Enormes!!!
Gongóricos!!!
Cospem fogo...
Espargem luz... Mulatas... Perfume...

(Quem dera que o Rio fosse sempre a passarela em noite de grandes campeãs!)

Mas tem um Rio às avessas...
Rio do dia a dia...
Um Rio sem fantasia...

É um Rio que atravessa no samba.
Meio sem harmonia.
Um Rio que perde na cronometragem
(E chega atrasado ao trabalho, porque o trem enguiçou.) 

Um Rio sem ar condicionado e sem vista pro mar.

Quem faz nossa festa se arrisca nos trilhos. Se espreme em sucateados vagões!

(Salve Joãosinho Trinta! E seu "Ratos e Urubus larguem a minha fantasia".)

Que venha a festa...
A festa...
Que depois é quarta-feira de cinzas...
Só quarta-feira...
De cinzas...

(Até... O próximo Carnaval...)


Nota: Foto retirada do site UOL.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 11 de março de 2011

AINDA É CARNAVAL


Depois de quinze anos sem passar o Carnaval no Rio, o Rio e o Carnaval me pegaram, e me pegaram de jeito. Com amigos queridos, decidi curtir a festa e a cidade por toda a semana.

Foi passeio de lancha com direito a almoço "al mare" em itaipu, desfile de Escolas de Samba, blocos (apesar de só à distancia) e muito descanso.

Resultado: as noticias, histórias e impressões ficam para a próxima sexta-feira. ... Quaresma: tempo de reclusão e seriedade...

 Mas, por enquanto, ainda é Carnaval.



(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LOURDINHA CARNAVAL


Marcinha e Fátima chegaram lá pelas 8. Era mais um debut do apartamento. Apesar de estar ainda acampada, me esmerei nas comidinhas. Tinha até louça inglesa. Estou tendo um prazer enorme de poder usar minhas coisas novamente. As pobrezinhas ficaram por tantos anos escondidas em armários e depósitos... Agora não. Todas lavadinhas e prontas para o serviço.

Mas como eu ia dizendo, as meninas chegaram por volta das 8. Fátima me trouxe um tinto australiano de respeito e Márcia um vaso/presente. Uma bromélia amarelinha. Uma celebração nacionalista. Inconscientemente, ela me presenteava uma flor amarela em um vaso verdinho como se dissesse: Seja benvinda, amiga. Seja benvinda.

Silvio chegou logo depois e aí foi muito papo, pastinhas, risadas, margaritas (e suco de uva para Marcinha).

Uma história foi puxando a outra e também nós migramos para a mesa, onde nos esperava um espaguete ao pesto com salmão defumado. Vinho branco argentino, cerveja para Silvio... E... suco de uva. 

É impressionante e encantador como amigos verdadeiros são capazes de produzir assunto... e muitas risadas.

Enquanto comíamos, de vez em quando eu olhava para a flor que tinha sido deixada junto a nós. Depois eu encontraria o lugar certo para ela. A gente falando e ela... Sei lá... Acho que era o ângulo em que eu estava... Mas era como se ela seguisse a conversa com sua loura cabecinha. Participava, em silêncio, mas atenta e solicita. Havia algo de humano naquela bromélia. Um corpo delgado e proporcional. E a leveza da juventude.

A noite terminou já passava da 1 e como todos, inclusive eu, tinham que levantar cedo, foi apagar as luzes e deitar.

De manhã, não ouvimos o despertador e quase perdemos a hora. Sai do quarto direto para a cozinha para fazer o café e quando passei pela sala, lá estava ela, loura. E havia uma alegria indizível naquela ... flor? Menina? Moça? Os braços para o alto... Bailava.

Era isso. A bromélia rodopiava em seu eixo. Uma passista! Uma baiana! Alegoria de si mesma. Uma das mãos erguida em ponta, como um leque. Seu mais lindo adereço. E o silêncio da manhã se encheu de música, batuque, um repique carioca.

Minha sala, a festa. Minha sala, a passarela. Minha sala, a avenida!!!!

Quando se apercebeu de minha presença, fingiu passividade. Mas aí já era tarde. Eu sabia de seu segredo. De seu canto/encanto. Súbito intui o seu nome e a batizei em cerimônia simples, mas não menos formal: Eu te batizo em nome da vida... Lourdinha... Lourdinha Carnaval! 

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)