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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ENTÃO É NATAL... NOVAMENTE????!!!!!


Acho que já ficou claro que não gosto de Natal. Correrias, obrigação de presentes e presença, muita culpa após os banquetes. A figura rotunda e vermelha de Papai Noel (ai, que calor!). Pinheirinhos e neve a 40 graus à sombra. É... Está claro... Não gosto de Natal.

Então, todos os anos, cumpro o dever de passar pela data. Alugo um sorriso e vou em frente. O que me mandarem fazer eu faço e rezo para que logo chegue o dia 9 de janeiro, data cabalística, inventada por mim. Dia internacional da certeza de que, finalmente, a efeméride acabou.

Este ano, como sempre, passei o Natal em Porto Alegre, mas diversificamos um pouco e, no dia 28, fomos para Passo Fundo conhecer um sobrinho neto (Silvio só o considera sobrinho), filho de Carla e Fábio, queridos afilhados.

 
Nós dois e meus sogros ficamos em um hotel pertinho da casa de Carla e foi lá, no quarto dos bisos, que eu encontrei o Guilherme.

O telefone tocou e nos chamaram. Entrei no quarto, espaço planejado para um casal, e a familia inteira estava lá. Nove pessoas, às escondidas, invadiram o hotel. Umas sentadas nas duas únicas cadeiras, algumas na pontinha da cama e outras escarrapachadas no chão. Era uma cena de transgreção e aconchego.

No centro da cama, como rei e senhor, cercado dos presentes que havia acabado de ganhar, estava o Gui. Pleno, do alto de seus cinco meses, ressonava.

Enquanto os outros conversavam e brindavam com as poucas bebidas do frigobar, fiquei olhando a cena. Havia uma alegria natural. Estávamos ali por causa daquele bebê que havia chegado. Trouxemos presentes para saudá-lo. Presentes verdadeiros.

Quando ele acordou e deu o ar de sua graça foi a festa. Não estranhou ninguém. Não choramingou. Nada. Entrou no clima e todos queriam pegá-lo no colo. Todos queríamos celebrá-lo. Vida chegada... Que seja muito feliz!!!

Lembrei de minha mãe, que nunca celebrava o Natal para evitar saudades passadas e futuras. Ela dizia que Natal era só para as crianças. Quando a gente vira adulto, acaba. Deixamos de acreditar em Papai Noel e em muitas outras coisas. Deixamos de acreditar.

Naquela noite, naquele hotel no interior do Rio Grande do Sul, a festa se fez porque ali havia uma criança com sua inocência essencial... bíblica.

De repente olhei pela janela e vi uma estrela perdida na noite, como em um imenso deserto. Então entendi e me aplaquei. Era Natal novamente. Ou, pela primeira vez em muito tempo, era novamente Natal.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)