quinta-feira, 15 de novembro de 2012

PEDRINHAS PORTUGUESAS

 
A calçada portuguesa ou mosaico português (também conhecida como pedra portuguesa no Brasil) é o nome consagrado de um determinado tipo de revestimento de piso utilizado especialmente na pavimentação de passeios e dos espaços públicos de uma forma geral. Este tipo de passeios é muito utilizado em países lusófonos.
 
A calçada portuguesa resulta do calcetamento com pedras de formato irregular, geralmente de calcário e basalto, que podem ser usadas para formar padrões decorativos pelo contraste entre as pedras de distintas cores. As cores mais tradicionais são o preto e o branco, embora sejam populares também o castanho e o vermelho. Em certas regiões brasileiras, porém, é possível encontrar pedras em azul e verde. Em Portugal, os trabalhadores especializados na colocação deste tipo de calçada são denominados mestres calceteiros (!!!!!grifo e espanto nosso)
 
Em1986, foi criada uma escola para calceteiros (a Escola de Calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa) e em Dezembro de 2006, foi inaugurado também um monumento ao calceteiro, sito na Rua da Vitória na baixa Pombalina.
 
Sobre a técnica: Os calceteiros tiram partido do sistema de diaclases do calcário para, com o auxílio de um martelo, fazerem pequenos ajustes na forma da pedra, e utilizam moldes (!!!!!grifo e espano nosso) para marcar as zonas de diferentes cores, de forma a que repetem os motivos em sequência linear ou nas duas dimensões do plano (padrões).
 
Nota: ref. Wikipédia
 
Aqui, deitada em minha cama, com o pé para o alto e torcendo para que melhore para que eu possa fazer uma viagem que está planejada desde maio, posso me dedicar à leitura de amenidades, como este pequeno e singelo texto sobre as calçadas de pedra portuguesa.
 
Descubro, com admiração e certa surpresa, que, para a sua feitura, são necessários mestres calceteiros que são treinados em uma escola e que, pela importância de seu trabalho artístico, mereceram um monumento!
 
(Ai! Me virei na cama e o pé doeu!)
 
Desvanecida, aprendo sobre a cuidadosa técnica de colocação das pedrinhas, simétricas, seguindo um padrão predefinido por moldes, geometricamente planejados.
 
(Tô também com dor no nervo ciático por causa de minha posição na cama.)
 
Observo, entre atenta e deslumbrada, as fotos dos imensos e planos!!!! mosaicos que se espraiam por espaços de Lisboa. 
 
Volto ao texto... Pesquiso outras bibliografias, mas não encontro nada sobre o estilo despojado e irrequieto das calçadas cariocas. Mentira, algumas fotos das calçadas de Copacabana para marcar nossa presença. Nada mais.
 
Onde estarão as observações sobre a refinada técnica desenvolvida em solo tupiniquim de deixar, a espaços irregulares (fundamental para o estilo) pequenos ou mesmo grandes buracos nos quais a pedra basáltica foi retirada pela chuva, pelo vento ou por uma obra da Light? Também não encontro informações sobre as medidas milimétricas que devem ser tomadas para se fazer aqueles pequenos montículos, onde o desavisado pedestre deverá (por força de tradição) dar uma topada e quebrar pelo menos um dedo, ou ainda melhor, tropeçar e cair de boca no chão, quebrando alguns dentes.
 
Com tempo, que é o que não me falta agora, aprofundo minha pesquisa, mas não encontro nada sobre a simétrica irregularidade do calçamento e nenhuma observação (nem mesmo nas áreas da botânica) sobre o levantamento do piso e retirada das pedrinhas quando as raízes das árvores estouram nossas calçadas. Nada também sobre as pedrinhas soltas (de diferentes cores) que têm a nobre função de dar rasteiras nos transeuntes, provocando escorregões, quando normalmente se fratura uma perna, ou um braço ou apenas se tem uma luxação. Nada!
 
Porém, o que mais me fez falta na pesquisa, foram informações sobre alguma Escola para Calceteiros cariocas. Tentei de tudo. Sebrae. Sesc. Coppe. Telecurso 2° grau. Nada. Creio que não precisamos de treinamento já que somos um povo inventivo e empreendedor. Encontrei, no entanto, dados, ainda não confirmados por historiadores, que registram a necessidade de formação prévia para a feitura das calçadas (ou pelo menos para sua manutenção)...
 
(Ai! O meu pé tá um pouquinho dormente!)
 
Retomando o assunto. Para se fazer a manutenção adequada das calçadas tupiniquins, o profissional deve ter formação de zelador, ajudante de pedreiro ou amigo desempregado do síndico. As ferramentas para tão nobre ofício são de baixo custo, tais como: um pedaço do papel do saco de cimento (se possível o saco todo estiradinho no chão) onde se vira o concreto (com areia da praia?); uma pá de pedreiro e um punhado de pedrinhas portuguesas que estavam soltas na calçada do vizinho. Não é exigência para se fazer a tarefa, mas se for possível, óculos... de grau, caso o profissional tenha problemas oftalmológicos. Sem uma visão 20 por 20, a imprecisão da calçada não será a mesma.
 
Por sua importância histórica e, por que não dizer também, médica, já se pensa em fazer um monumento, não para os mestres calceteiros locais, mas para as vítimas destas armadilhas lusitanas. Soube, inclusive, que a Rede Globo já está preparando uma campanha para o próximo verão, campanha esta que substituirá a competição Menina do Fantástico. Vai se chamar The Fucking Victim (em inglês sempre fica melhor!) onde será escolhida a vítima ideal ou o tombo mais perfeito que será, então,  imortalizado em bronze, em mais um monumento para nossa maravilhosa cidade.
 
(A médica disse que eu vou poder viajar se ficar bem quietinha... Ainda bem!)
 
Nada como um tempinho livre para se aprender coisas novas! E, como nunca deixo de ser professora, divido com o meu leitor duas fotos com os diferentes estilos da arte de se desenhar com pedrinhas portuguesas: O estilo lusitano e o carioca. Será que dá para descobrir qual é qual?
 



Calçada estilo ................?

Calçada estilo .................?

 


 Será que deu pra adivinhar?
 
Nota final: Se você acha que tem alguma coisa a ver com este texto (alguma cicatriz antiga, ou mesmo nova), favor repassa-lo para alguns de seus amigos... Alguém é amigo do prefeito ou do secretário de obras?
 
 
(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

Um comentário:

ayabrag disse...

Quero ampliar teu protesto a todas as calçados do país, cheias de buracos, raízes, desníveis,obstáculos. isso qd há calçadas, pq em SP há ruas que nem as têm.