sexta-feira, 9 de novembro de 2012

AQUI BEM PERTO

 
Ontem estive na casa de Ruy Barbosa (Rui Barbosa? As duas grafias se perdem pelos jardins da mansão). Aqui em Botafogo... Aqui, bem pertinho... Quanto tempo fazia desde a última vez que estive por lá?
 
Apesar de a tarde ter sido estranhamente tranquila para quem estava em plena Rua São Clemente, não é sobre a casa que quero falar.
 
Quero falar de pertinhos. De aquis.
 
Já não me lembro da última vez que subi ao Corcovado. Há muito tempo não vou ao MAM e faz anos desde que visitei o Museu de Belas Artes. Estou sempre me prometendo fazer os passeios, mas ai o tempo passa... E eles estão aqui tão pertinho... Deixa pra semana que vem.
 
Muitas vezes passo pelas praias de Ipanema e Copacabana, com um olhar blasé, reclamando do trânsito e, no Aterro, tem dias de pressa em que nem me apercebo que o Pão de Açúcar e o Cristo estão ao meu redor, em um abraço forte e azulado.
 
Engraçado, transgredindo todas as leis da física, tudo que está muito perto da gente fica menor. Às vezes, muito menor.
 
Se isso vale para uma montanha do tamanho do Pão de Açúcar, imaginem de que tamanho ficam essas coisinhas como... Deixa eu ver... Ah!... Um carinho de amigo. Um olhar rotineiramente apaixonado. Um sorriso solidário de uma pessoa que passa por você. Um silêncio, rápido e eventual, que vale por mil palavras. Essas coisas prosaicas, como um... Eu pensei em você.
 
é um lugar mágico, onde tudo é melhor (e maior!). E é o no espaço e no tempo também. Somos todos personagens do Meia Noite em Paris de Woody Allen. Ainda que a nossa Paris seja em Singapura ou na Basileia. Esteja no passado remoto ou em futuro distante. O bom está LÁ... E eu aqui comendo mosca!
 
Quantas vezes olho pela janela, sem olhar. Quantas vezes olho pela janela, por olhar. Quantas vezes... Nem vejo a janela!
 
E, então, o aqui vira buraco de fechadura, por onde se espreita, à espera de algo... Mas algo que seja ALGO... E que nunca chega. Que sempre se adia. Que se perde no tempo.
 
Talvez um dia a gente encontre umas lentes convexamente côncavas que permitam que todos possam ver o aqui (e por que não o agora também?) com um olhar de primeira vez. Como se  tudo fosse paisagem distante e estrangeira. Aqui de cartão postal.
 
Talvez desse pra se ser mais feliz... Ou não... Quem sabe a magia da vida esteja exatamente nessa nossa eterna e tola esperança de que lá, ou mesmo ali, é um lugar bem melhor. Talvez...
 
Mas que, pelo menos, apreciemos a viagem com calma e despojamento, sem angústias e ansiedades... E, principalmente, sem dar um overbooking nos tesouros rotineiros (grandes ou pequenos) que estão ao alcance de nossas mãos.
 
(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

2 comentários:

Miriam disse...

Amei Patrícia! Não me canso de ler seus textos escritos de forma tão gostosa, tão amena e ao mesmo tempo consistente em suas constatações! Um beijo e um ótimo fim de semana...e que seu pé sare logo!

ayabrag disse...

Feliz aquele que consegue ver e sentir a beleza das e nas palavras, das e nas imagens. isso une nossas almas. agora entendo bem o link...