sexta-feira, 5 de março de 2010

TOUS LES HOMMES SONT MORTELS

Quando eu era adolescente li um romance de Simone de Beauvoir que me impressionou muito. O livro chamava-se Tous les hommes sont mortels (1946) e contava a historia de uma especie de alquimista que conseguiu tornar-se imortal. A narrativa era séria e angustiante, pois, a medida que o tempo passava, ele desejava cada vez mais morrer e, assim,  começa a fazer coisas como ficar sessenta anos sem respirar para ver se morria. Angustias muito a parte, tenho lembrado desse homem enquanto perambulo pelas ruas de Roma.
Tenho todo o tempo que necessito para fazer o que necessito e o que eu necessito é ver, descobrir, aprender, ver mais, redescobrir e olhar novos olhares.
Posso ficar uma hora e meia esperando um onibus que eu pensava que me levaria para um lugar e enquanto esperava... via. 
A cidade, apesar de ainda fria(zinha), assumiu seu estado primaveril e percebo com alegria que a luz branca do outono carioca tambem està por aqui neste inicio de primavera.
Tenho tantas historias para contar... mas, por agora, là fora faz um sol maravilhoso e a vontade é de cair no mundo.
Sei que todos os homens sao mortais, mas tenho certeza que hà em todos nòs um grau de imortalidade que se manifesta em plenitude nos momentos felizes.
Que possamos exercer a nossa precaria imortalidade a cada dia... em um sorriso, um olhar ou apenas esperando um onibus que a gente pensa que nos levarà ao lugar desejado.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)



5 comentários:

Lúcia Russo disse...

Ahhh Pat, essa cidade está lhe tornando ainda mais inspirada, ainda mais sensível. Adorei o texto! Interessante o que vc escreveu sobre poder esperar o onibus por tanto tempo e poder ver enquanto aguarda.
Pensei na nossa pressa diária, para entrar no onibus, no elevador, impaciencias até nas filas do cinema. Que pressa é essa?
Beijos e veja muito!

Alzira Willcox disse...

"Que possamos exercer a nossa precaria imortalidade a cada dia... em um sorriso, um olhar ou apenas esperando um ônibus que a gente pensa que nos levará ao lugar desejado."
Não há mais nada a acrescentar depois de ler este parágrafo final, maravilhoso que dá margem a tantos desdobramentos filosóficos, mas que tem em seu cerne um quê de otimismo e serenidade para aguardar o que a vida nos reserva.
Obrigada, amiga por este brinde!

Elza Martins disse...

Querida Pat: Tenho estado ausente devido a obras no novo ap. Não reclamo. As preocupações são superadas pelas alegrias de ver sonhos se tornando realidades lindas.
Amei os textos. Havia três novos para mim o que me mostrou que fiquei quase um mes ausente. Mas, a volta valeu a pena! Você anda inspirada demais.
Bjs

ayabrag disse...

Patricia

fazia tempo que entrava no à vista del Ávila. Lide de carreirinha todos os textos. Amei o do teu avó. Somos privilegiadas em poder fazer como ele,escolher mudar o ritmo de nossas vidas. Cada dia estou mais certa da escolha correta que fiz (que fizemos) em cortar as cordas que nos sufocavam... Mil beijos, muitas saudades

Eulalia disse...

É, querida, você foi mordida pela mosca azul. Já não tenho mais dúvidas: Roma te conquistou!
beijinhos