quinta-feira, 18 de junho de 2009

ÁRVORES

Continuamos às voltas com plantas e árvores. A horta está progredindo a olhos vistos e, finalmente, a salsinha brotou. A buganvilla se negou a ficar na sala, começou a despetalar. Nós pensando em protegê-la e o que ela queria mesmo era muito sol e muito vento. Resultado, o balcón ganhou uma nova moradora. Linda!
Com tudo isso e os muitos passeios, cadê tempo para escrever? Então, aí vai um texto muito antigo, escrito em uma aula da pós na UFF. A professora, para quem a conhece, era Elzinha.
Além do texto, vai também uma foto de uma das muitas árvores deslumbrantes que encontrei nos Páramos de Mérida nos Andes Venezuelanos.

ÁRVORES DE MINHA INFÂNCIA

cajueiro
manga rosa
cajá-manga
sapoti

pé de acácia
flamboyant
jabuticaba
açaí

árvores de minha infância
plantas de tantos quintais


vegetais beirando estradas
sombras de vagos jardins


molduras de antigas casas
perfumes de fim de tarde
parentes da lua cheia
caule e seiva
mandarins


árvores da minha infância
varal de minhas fantasias


pousados em seus ramos
meus príncipes encantados
cavalos brancos
rios e mares
estátuas de bronze e marfim


mas a vida é boa mateira
tomou no punho o machado
e fez o tronco em desfeito
sobrou o lenho rachado

ainda assim
enraizadas
em meu corpo
em meu passado
estas árvores espreguiçam
os seus braços abstratos
e conservam aninhadas
minhas metas impossíveis

pássaros de azul pintados



(in à vista del ávila)




6 comentários:

Alzira Willcox disse...

A delicadeza dos seus versos me comove.
Transportei-me para uma certa mangueira, em um certo quintal há muuuitos anos atrás. Doces recordações e outras nem tanto...
Que a sua horta viceje junto com a sua criatividade.
Gosto muito das suas poesias, delicadas, simples, verdadeiras.

Elza Martins disse...

Amiga:
Lindo texto, linda poesia. Puro prazer. Eu cresci em casa com quintal e morava perto de uma chácara. Já viu, né? Voltou tudo a mente. Valeu.

Lúcia Russo disse...

Oi Patricia,

Que texto liiiinnnddooooo!
Com a minha irmã preferida (Elza, rs) bem lembrou, passamos a infância em lugar com árvores e tudo o que tínhamos direito. O que mais veio à minha mente foram os pés de amora...ahhh, "amora", "amor", que delícia! que saudade!
Beijos,
Lúcia

Bia Veiga disse...

Que palavras mais lindas! Também, vivi em alguns lugares onde as árvores eram minhas companheiras. Quanta lembrança gostosa o texto fez renascer.
Obrigada
Beijos
Bia

monica disse...

É, acho que a palavra é esta: delicadeza.
Beijos,
Mônica

Eulalia disse...

sua poesias de sempre e essa árvores lindas de Mérida... sem comentários...