sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

AURORA DOS SIXTIES


Essa noite vou ver HAIR, a montagem que está no Oi Casa Grande. Gosto de musicais.

Agora, aqui, neste meio de tarde, enquanto checo emails e, como sempre, espero alguém que vem instalar alguma coisa na casa, decidi folhear antigos poemas e rever fotos de uma Patricia que já não existe mais. O resultado: este post.

Sou a raspa do tacho da década de 60. Naquela época, eu achava que podia mudar o mundo e escrevia longos poemas...

Quem viveu... vai entender do que estou falando. 

AURORA DOS SIXTIES

é isso aí
          Aurora
já não há tempo nem hora

o tempo passou
a ave voou
agora
          Aurora
               são três a voar

é isso aí
          Aurora
feito amora
indomável
nódoa de sangue
nódoa de mangue
na roupa
no rastro
no passo
na mão

Aurora
dos sixties
cheia de tiques
cheia de truques
a vida era assim

tudo em cima
tô na tua
nem vem que não tem
e teve
e tinha

Aurora
do abaixo assinado
da denúncia
cheia de vícios
cheia de vida
cheia de dívidas
só dividida
entre o céu a a terra
ficava o gurú

na roupa hortelã
enrugada
a marca da bala que matou o viet

Aurora
a glória!
análise
psicodrama
teatro experimental
ainda roça no ouvido
a guitarra e o rock

herman hess
leví-strauss
na aldeia global
ela
elétrico elo
elemento na rota do espaço

é isso aí
          Aurora
já não há tempo nem hora
o tempo passou
a ave voou
doce pássaro

é noite
         aurora
é noite
         aurora
é noite

(Poema publicado em Moinhos ao Ventos, ed. Fontana, 1982)






















1974, 16 anos...
Não mudei o mundo...
(O mundo me mudou...)
Naquela época eu teimava em escrever...
longos poemas...
tristes.


(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

3 comentários:

ayabrag disse...

Que vontade de ir junto contigo ver HAIR. Fica para uma outra vez.
Feliz aquele que muda e pode perceber sua mudança...

besitos
Soraya

Eulalia disse...

Bom te ler... bom te ver... senti saudades...
E... tendo acompanhado cada uma dessas etapas, sempre sempre agradeço à vida termos nos conhecido.
Você é um presente, querida!

monica disse...

Muito maneiro o poema.
Bjs