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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UM TEXTO, NOVAMENTE


Gosto desta foto. Foto surrada e antiga, mas nunca me desfiz dela. É como uma essência. Uma síntese. Um mapa de mim. Um mapa de nós.

Campo de São Bento, Niterói. Eu, a mais velha. Não mais que quatro anos. De mão dada comigo, Celina. Não passava dos dois.

Eu, séria, sisuda. Com um ar preocupado que não deixou de me marcar pela vida. Sou pessoa que sofre de preocupações. E se...? E se...?

Celina, mão para o alto. Pode mandar que eu enfrento e seguro. Tô pronta pro que der e vier. Manda, que se for ruim, bate na trave, né?

Gosto desta foto... Síntese de nós. Nós, eu e ela. Nós... Daqueles que a vida prepara pra gente e haja dedo e paciência para desatá-los.

Crescemos juntas e a vida se encarregou de nos unir ou nos separar ao longo do tempo.

Construímos nossa história. Escrevemos histórias.

E foram muitos bons momentos...

E foram momentos tão duros...

Quando uma caia, a outra segurava. Quando uma voava, a outra planava em cumplicidade. Quando sonhávamos... Dividíamos o desejo, o medo, o delírio.

Às vezes, eu fui a mais velha. Outras, foi ela quem me deu a mão.

Perdemos batalhas, pessoas, partidas. Ganhamos experiência e recordações.

De tão diferentes... Ficamos iguais...

E, naquela tarde, nunca podíamos imaginar que o Campo de São Bento, lá de Niterói, podia ficar tão grande. Podia estar tão longe. Podia ser tão mágico. Podia ser tão bom...

O tempo passou...

E deste lugar estranho chamado maturidade, partimos para posar para outras fotos...

E sorrimos vitoriosas...
Sem medo de monstros.
 (Nem mesmo daqueles que se escondem na escuridão dos lagos distantes!)



De tão diferentes... Ficamos iguais...
Somos primas... Irmãs.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)