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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DE LAGOS E MONSTROS E REVEILLONS


Saímos de Edimburgo bem cedo. Manhã fria e cinzenta. O ponto de encontro ficava bem nos portões do Castelo, The Castle, e lá estávamos nós ansiosas para que começasse a aventura. Enquanto esperávamos, uma chuva fina e o vento eram nossas únicas companhias. Somos de chegar com muita antecedência a nossos compromissos.

Aos poucos, nossos outros companheiros de viagem foram chegando. Naquela hora, ainda não sabíamos que eram um casal espanhol e uma coreana. Logo depois, o guia chegou. Martin era o seu nome.

Com rapidez, revisamos os planos do dia. A meta era chegar a Inverness à noitinha, mas antes... Os lagos e, em especial, Loch Ness. O lago e seu monstro misterioso. Será que iríamos encontrá-lo?

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É engraçado. Todo final de ano, na hora da virada, me dá um frio na barriga. Mesmo em meio a sempre presente alegria, me vem uma sensação estranha de inicio de viagem. Um mergulho no novo. Um respira-fundo-e-se-atire! É claro que temos sonhos e metas. Começamos o ano com um certo plano de voo, mas quando dá meia noite e os fogos explodem... No fundo... Bem lá no fundo... Sinto medo de monstros. Meu Deus, o que vem por aí?

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Fizemos um breve tour por Edimburgo (cidade já bem conhecida por nós) e fomos saindo do perímetro urbano. O guia, vestia um kilt no corpo e na língua (que sotaque mais gostoso!), depois, entre castelos e torres medievais, entre campos e ovelhas, fomos nos embrenhando pelas Highlands. Não chovia, mas o céu cinza chumbo compunha o cenário perfeito das terras altas.

Felizes, nós duas, conquistávamos mais um sonho. Tínhamos planejado esta viagem como aventura de infância. Como duas meninas.

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É engraçado. A noite de trinta e um para primeiro é sempre  como uma partida em manhã nevoenta. A gente segue a estrada e torce para o céu se abrir em azul. Torce por um sol, se possível morninho, e que as paisagens sejam ainda mais lindas que aquelas dos cartões postais. Que tudo dê certo! 

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Ao longo do dia, o chuvisco foi melhorando e o céu ousava alguns claros. Nada muito promissor, mas, afinal, era Escócia. E começaram os lagos, entremeados de histórias. Lendas, heróis, vilanias. São quatro os lagos, explicava o guia. O último é Loch Ness.

Quanto mais nos aproximávamos de Ness, surpreendentemente, o céu ia abrindo. Já se permitia azuis e violetas. Ousava laranjas em um quase pôr de sol.



É engraçado. Apesar das preocupações e da insegurança, amanhecer no dia primeiro do ano me traz alegria. É como se a vida me dissesse, Toma seu rumo e segue que à sua frente tem mais um período de vida. Faça com ele o melhor que puder! Que vida é presente dos deuses!!! Viva!!!
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Chegamos a Loch Ness ao cair da tarde. Uma tarde fria e linda. E o melhor de tudo... Encontramos o monstro. Verdade!!! O vimos de pertinho. O MONSTRO! Não tinha escamas e nem era nojento. Nem cheirava mal. Não parecia nem cobra, nem sapo, nem ser abissal. Não metia medo. Mas era monstro. O MONSTRO! E nós o vimos. A jolly jolly good fellow!



Que 2012 nos traga muitos lagos azuis e dourados poentes!

E que todos os monstros que possam surgir pelo caminho sejam feitos da mesma e pura essência de Nessy...

Feliz Ano Novo!!!

(ou como Nessy diria: A Guid Hogmanay!)

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UM TEXTO, NOVAMENTE


Gosto desta foto. Foto surrada e antiga, mas nunca me desfiz dela. É como uma essência. Uma síntese. Um mapa de mim. Um mapa de nós.

Campo de São Bento, Niterói. Eu, a mais velha. Não mais que quatro anos. De mão dada comigo, Celina. Não passava dos dois.

Eu, séria, sisuda. Com um ar preocupado que não deixou de me marcar pela vida. Sou pessoa que sofre de preocupações. E se...? E se...?

Celina, mão para o alto. Pode mandar que eu enfrento e seguro. Tô pronta pro que der e vier. Manda, que se for ruim, bate na trave, né?

Gosto desta foto... Síntese de nós. Nós, eu e ela. Nós... Daqueles que a vida prepara pra gente e haja dedo e paciência para desatá-los.

Crescemos juntas e a vida se encarregou de nos unir ou nos separar ao longo do tempo.

Construímos nossa história. Escrevemos histórias.

E foram muitos bons momentos...

E foram momentos tão duros...

Quando uma caia, a outra segurava. Quando uma voava, a outra planava em cumplicidade. Quando sonhávamos... Dividíamos o desejo, o medo, o delírio.

Às vezes, eu fui a mais velha. Outras, foi ela quem me deu a mão.

Perdemos batalhas, pessoas, partidas. Ganhamos experiência e recordações.

De tão diferentes... Ficamos iguais...

E, naquela tarde, nunca podíamos imaginar que o Campo de São Bento, lá de Niterói, podia ficar tão grande. Podia estar tão longe. Podia ser tão mágico. Podia ser tão bom...

O tempo passou...

E deste lugar estranho chamado maturidade, partimos para posar para outras fotos...

E sorrimos vitoriosas...
Sem medo de monstros.
 (Nem mesmo daqueles que se escondem na escuridão dos lagos distantes!)



De tão diferentes... Ficamos iguais...
Somos primas... Irmãs.

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)