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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

E VAI ROLAR A FESTA...


Foi assim que a praia de Copacabana amanheceu no dia 31 de dezembro de 2011. Apesar de toda a previsão de chuva, ela me brindou, a mim, sua filha pródiga, com um dourado amanhecer.

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A idéia era antiga, mas nunca tinha tido a oportunidade de realizá-la. Já tinha visto a queima dos fogos na virada do ano em Copacabana. Foi durante uma linda ceia lá do alto do Hotel Othon. O ano era 1996 e uma das amigas que me acompanhavam naquele momento não parava de dizer que da areia a visão dos fogos era mais emocionante. Guardei  a informação no bolso do colete e aguardei...

Nossa! Aguardei muito tempo! A virada de ano agora era de 2011 para 2012. Quantos anos? Quinze anos!!!! Sou um modelo de paciência.

Mas esperei tanto tempo porque tinha uma agenda mais complexa. Um plano secreto. Não queria apenas ver os fogos nas  areias de Copacabana. Não. Queria ver tudo... A festa do início ao fim. Para isso, eu precisava de muito planejamento...

Foi em junho que comecei a fazer contato com hotéis e descobri um pacote de final de ano que cabia em meus desejos e, claro, em meu bolso também. Quatro dias... De 30 de dezembro a 2 de janeiro... De frente para o mar... De frente para a festa... A festa inteira, com seus meandros e bastidores.

De frente para o mar, fiquei de camarote vendo a festa rolar.

Desde o dia 30, já havia um certo frisson no ar, mas é no dia 31 que a coisa pulsa. De manhã, ainda deu praia e cariocas e turistas buscaram o bronzeado adequado ou possível para a virada.


Ambulantes cadastrados e guardas municipais chegam cedo. E lá pela hora do almoço, já dá para ver um bocado de pessoas vestidas de branco chegando e se acomodando... Os palcos, na parte da tarde, já bombam com passagens de som e afins.


E, então, rebocadores invadem os mares trazendo as balsas cheias de fogos. Na televisão, vejo a entrevista com os espanhóis responsáveis pelos fogos. Em um dos hotéis de Copacabana (seria o meu???), está a equipe responsável pela queima e é do hotel, com um apertar de botão,  que o evento é acionado. Que tudo dê certo!!!


Agora, rebocadores e balsas já estão quase posicionados e os postos de saúde e ambulâncias em prontidão. Mais gente de branco tomando seus lugares. Personagens, anônimos protagonistas, com flores brancas e garrafas de espumante (champanha?) nas mãos ensaiam suas marcações, seus gestos, sua fala. FELIZ ANO NOVO!!!!


Mas ainda faltava o mágico pa de deux, de fazer inveja a Giseles e Quixotes. O bailado começa tímido mas, ao sabor das águas e do entardecer, vai se intensificando. Balsas e navios, na pontinha dos pés, bailam um encontro amoroso e sensual. 

 

Agora, o ballet era feito de pura paixão!!



Falta pouco. Que roupa vou usar? O horóscopo e a numerologia indicaram azul. Que seja! Azul! 2012... Azul!!!!

O tempo foi passando tão rápido agora. Quando vi... Copacabana explodiu!


Clímax da festa! SIM!!!! Mas não seu final. Faltava o epílogo.

Tinham me dito que a limpeza da praia no dia seguinte era algo para se ver e curtir. Fiquei esperando. Afinal, minha festa era peça de muitos atos.

E a logística dos garis foi fecho de ouro. Como em um final de samba enredo, chegaram em alas e com seus adereços de mão e alegóricos carros foram varrendo as areias. Limpando os restos da festa e abrindo alas para o novo ano.  


Só depois pude dormir. A minha festa tinha acabado. E não sei se sonhei ou se, de verdade, ouvi a voz de 2012, anunciando o seu chegar:

Ô abre alas qu'eu quero passar!!!

Adormeci...

(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ROJÃO


E foi justamente quando pisei nas areias de Copacabana e os fogos iluminaram a praia, a cidade e as almas... que lembrei de um antigo poema, escrito lá pelos idos dos 80. (Como o tempo passa!!!)

ROJÃO

é deixar a vida
a espera
na soleira da porta

é pendurar as mágoas no varal
- alvas camisas de punho em riste -

é tomar da linha
desfazer o laço
e soltar a alegria
(gigantesca pandorga)
a sobrevagar
um impossivel céu lilás

é fazer-se verão e maresia
ser fruto e ser mar
camarão
frenético peixe
cavalo marinho
a galopar profundezas
a profanar mariscos e conchas
a se embriagar de verde e sal

alvas camisas de punho em riste
silenciosas
indecifráveis
com abotoaduras de cristal

o sol nunca se põe
em meu império
vagalume
vagabundo
vaga e mar

prima véspera
de ano novo
com direito a fogos...
sem artifícios

ser feliz é acender o pavio
explodir inteira
(em lua cheia)
e neste céu poente...
amanhcer

(in Sintaxe do Espanto, Ed. Cátedra, 1986)



(in pblower-vistadelvila.blogspot.com)